Guilherme Campos analisa que, quando um projeto de construção atrasa, o primeiro suspeito costuma ser o financiamento ou a burocracia. Na prática, o gargalo que mais aparece nas pesquisas do setor hoje é outro: a falta de gente qualificada para tocar a obra no ritmo planejado, um problema que raramente entra na conta no momento do lançamento do empreendimento.
Uma enquete da Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostrou que mais de sete em cada dez construtoras do país relatam dificuldade para contratar profissionais capacitados, um problema que atinge desde mestres de obra até engenheiros de execução, passando por praticamente todas as funções técnicas do canteiro.
A ideia de que o principal obstáculo de uma obra é o dinheiro
Capital disponível e terreno aprovado resolvem boa parte da equação de um empreendimento. Contudo, eles não substituem a mão de obra necessária para executar o projeto dentro do prazo contratado com compradores e financiadores, que raramente aceitam justificativas ligadas à escassez de profissionais no mercado local. Desse modo, torna-se cada vez mais relevante ter um processo de triagem e contratação eficiente.
Guilherme Campos elucida que essa é uma armadilha comum em planejamento de obra: dimensionar cronograma e orçamento com base na disponibilidade de recursos financeiros, sem checar antes se existe mão de obra qualificada suficiente na região para sustentar aquele ritmo de execução.
O que os números da construção civil mostram sobre esse gargalo?
Levantamentos recentes do setor apontam que 76% das empresas já precisaram revisar prazos de obra por causa da falta de profissionais, principalmente em projetos de infraestrutura. Do outro lado, 60% dos próprios trabalhadores da construção nunca fizeram nenhum curso de qualificação, apesar de boa parte demonstrar interesse em participar de programas de capacitação quando eles estão disponíveis e são gratuitos.

Nesse sentido, Guilherme Campos alude ao fato de que esse descompasso entre demanda por mão de obra especializada e oferta de profissionais treinados tende a se intensificar justamente nos momentos de maior aquecimento do setor, quando várias obras competem pelos mesmos profissionais disponíveis na mesma região.
Por que isso pesa mais em Roraima do que em grandes centros?
Estados menores e mais distantes dos grandes polos de formação técnica costumam sentir esse gargalo de forma ainda mais direta, porque não têm o mesmo volume de escolas técnicas e cursos profissionalizantes disponíveis para repor a demanda que cresce junto com os novos empreendimentos, num ciclo que se retroalimenta a cada nova obra lançada.
Guilherme Campos considera que, para uma região com ritmo de construção civil acelerado como Roraima, formar mão de obra local deveria ser tratado como parte do planejamento de qualquer empreendimento de grande porte, e não como responsabilidade exclusiva de terceiros ou do poder público.
O que ajuda a reduzir esse gargalo desde já?
Instituições como o Senai já mantêm, em Roraima, cursos voltados especificamente para funções como carpinteiro estrutural, eletricista instalador residencial e pedreiro de revestimentos, formando profissionais mais próximos da demanda real do setor local e reduzindo, aos poucos, a dependência de mão de obra vinda de outros estados.
Para Guilherme Campos, incorporadoras que investem em parcerias com escolas técnicas locais, mesmo que de forma modesta, tendem a sofrer menos com atraso de obra por falta de mão de obra do que aquelas que dependem só do mercado de trabalho existente hoje, sem nenhuma ação para ampliá-lo ao longo dos próprios projetos. Para acompanhar mais sobre construção civil e geração de empregos na região, siga o perfil @guicamposvlg no Instagram.
