O Mercado Bitcoin anunciou, no dia 7 de julho, um aporte de R$ 100 milhões da Tether, emissora da stablecoin USDT e uma das maiores empresas do setor cripto do mundo.
O investimento foi captado pela 2TM, holding que controla a plataforma, e representa apenas a primeira etapa de uma rodada Série C que ainda deve contar com a participação dos fundadores da empresa e do SoftBank, fundo que já é acionista do Mercado Bitcoin desde 2021.
O momento do aporte não é aleatório. Ele acontece logo no início do segundo semestre de 2026, período em que o mercado de stablecoins global ganhou força depois de avanços regulatórios recentes nos Estados Unidos, o que tem atraído mais atenção e capital para empresas que atuam na ponte entre criptoativos e o sistema financeiro tradicional.
Uma rodada ainda em aberto
Naquele mesmo ano de 2021, o aporte liderado pelo SoftBank havia levado o Mercado Bitcoin ao status de unicórnio, com valuation de US$ 2,15 bilhões, tornando-se a primeira empresa cripto da América Latina a atingir essa marca. O valor final desta nova rodada Série C ainda não foi definido, já que o montante a ser aportado pelo SoftBank segue em negociação, assim como a participação dos fundadores da companhia.
Por isso, o mercado trata o anúncio como um first closing, ou seja, o primeiro fechamento de uma captação maior, que deve ganhar contornos mais claros nos próximos meses. Esse tipo de estrutura é comum em rodadas de porte elevado, nas quais diferentes investidores entram em momentos distintos do processo.
Para onde vai o dinheiro
Segundo a empresa, o capital será direcionado para acelerar o desenvolvimento de produtos em várias frentes ao mesmo tempo. Entre elas estão a infraestrutura de pagamentos, os investimentos tokenizados voltados tanto ao varejo quanto a investidores institucionais, as operações de crédito e os projetos ligados a mercados de capitais construídos sobre blockchain, tecnologia também chamada de on-chain.
A empresa também planeja usar parte dos recursos para acelerar sua expansão internacional, incluindo possíveis fusões e aquisições na América Latina. Esse movimento acompanha uma reorganização interna promovida pelo Mercado Bitcoin no fim de 2025, quando a companhia dividiu suas operações em duas frentes: a Operação Brasil, com foco em acelerar o público final por meio de tecnologia e dados, e a Operação Europa, conduzida a partir de Portugal.
O tamanho da operação hoje
Atualmente, a plataforma reúne 4,5 milhões de usuários e já movimentou mais de R$ 155 bilhões entre criptomoedas e stablecoins desde sua fundação, em 2013. A empresa opera com dez licenças regulatórias entre Brasil e Europa, incluindo autorizações como Instituição de Pagamento e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, além de estrutura para atuar como securitizadora e gestora de recursos.
Segundo o CEO da Tether, Paolo Ardoino, foi justamente essa estrutura regulatória consolidada que tornou o Mercado Bitcoin um parceiro estratégico para a operação. A combinação entre licenças regulatórias, oferta de tokenização e serviços financeiros integrados é vista pela empresa como um diferencial raro no cenário latino-americano.
O que vem pela frente
O aporte também reacende uma expectativa que está pausada desde 2021: a possível abertura de capital do Mercado Bitcoin, projeto colocado em segundo plano quando o mercado global esfriou para esse tipo de operação. Por ora, a empresa segue sem confirmar prazos para retomar essa discussão, mas o novo ciclo de captação e a entrada de um parceiro do porte da Tether devem reforçar o interesse do mercado pela trajetória da companhia nos próximos meses.
Fontes: InfoMoney | CNN Brasil
