A logística reversa deixou de ser um conceito distante da realidade brasileira para se tornar exigência concreta em diversos setores da economia. A Ecodust Ambiental, empresa especializada em inovação para a gestão de resíduos sólidos, economia circular e infraestrutura ambiental, acompanha de perto como fabricantes, distribuidores e municípios vêm se adaptando a essa nova responsabilidade compartilhada.
Continue a leitura para entender como funciona a logística reversa na prática e quais mudanças ela já provoca na cadeia de resíduos brasileira.
O que exatamente é logística reversa e por que ela ganhou força?
Logística reversa é o conjunto de ações que garante o retorno de produtos e embalagens ao ciclo produtivo após o uso pelo consumidor, em vez do descarte direto em aterros ou lixões. A Política Nacional de Resíduos Sólidos consolidou esse conceito como obrigação legal para setores como pilhas, baterias, pneus, embalagens de agrotóxicos e produtos eletroeletrônicos, atribuindo responsabilidade a fabricantes e importadores pelo destino final de seus produtos. Com o tempo, esse modelo passou a ser adotado também de forma voluntária por empresas de outros setores, interessadas em reforçar seu compromisso ambiental perante consumidores e investidores.
A Ecodust Ambiental nota que essa mudança de mentalidade, de responsabilidade exclusiva do poder público para responsabilidade compartilhada entre fabricante, distribuidor e consumidor, representa um dos avanços mais relevantes da legislação ambiental brasileira das últimas duas décadas. Setores que já operam há mais tempo sob esse modelo, como o de baterias automotivas, costumam servir de referência para acordos setoriais mais recentes, ainda em fase de maturação.
Como funciona a logística reversa na prática para as empresas?
Empresas obrigadas a implementar sistemas de logística reversa costumam se organizar por meio de acordos setoriais, que definem metas coletivas de coleta e destinação adequada para cada tipo de produto. Pontos de coleta em lojas físicas, parcerias com cooperativas de reciclagem e centrais de recebimento especializadas compõem a infraestrutura típica desses sistemas, que variam de complexidade conforme o produto envolvido. Para o Eng. Marcello José Abbud, Diretor de Operações da Ecodust Ambiental, empresas que tratam a logística reversa como parte de sua estratégia de marca, e não apenas como obrigação legal, tendem a obter resultados mais consistentes junto ao consumidor final.
Quais desafios os municípios enfrentam para apoiar esses sistemas?
Municípios costumam ter papel de apoio na infraestrutura de logística reversa, disponibilizando pontos de entrega voluntária e integrando esses fluxos aos sistemas municipais de coleta seletiva já existentes. A falta de padronização entre acordos setoriais de diferentes produtos, no entanto, dificulta esse trabalho, já que cada sistema costuma operar com regras, prazos e responsáveis distintos. Por consequência, muitas prefeituras acabam assumindo informalmente parte dos custos operacionais que, tecnicamente, deveriam ser arcados pelos fabricantes participantes dos acordos setoriais.
A Ecodust Ambiental avalia que maior padronização entre os diferentes acordos setoriais ajudaria municípios a planejar sua infraestrutura de apoio com mais previsibilidade, evitando que a falta de coordenação entre setores privados recaia sobre o orçamento público local.
Que tendências devem moldar a logística reversa nos próximos anos?
A ampliação da lista de produtos sujeitos à logística reversa obrigatória é uma tendência esperada, à medida que o poder público busca reduzir a pressão sobre aterros sanitários e ampliar a taxa de reciclagem nacional. A Ecodust Ambiental entende que a digitalização dos processos de rastreamento, permitindo comprovar de forma mais transparente o destino final de cada produto coletado, deve se tornar exigência crescente tanto de órgãos reguladores quanto de consumidores mais atentos às práticas ambientais das marcas que consomem.
Selos e certificações que atestam a participação efetiva de uma marca em sistemas de logística reversa também tendem a ganhar relevância comercial, funcionando como diferencial junto a consumidores dispostos a pagar mais por produtos com destinação final comprovadamente responsável. Por isso, empresas que se anteciparem a essa exigência regulatória, em vez de apenas reagir a ela quando se tornar obrigatória em seus setores, tendem a construir vantagem competitiva mais duradoura frente a concorrentes que ainda tratam o tema como custo a ser minimizado.
